Todo tutor já viu a cena: o cachorro avista outro cão, um gato ou uma moto, e dá aquele tranco na guia. A coleira aperta o pescoço, ele tosse, e no minuto seguinte puxa de novo. Parece só um mau hábito de passeio. O que pouca gente sabe é o que esse tranco faz com o corpo dele.

O que o estudo com 400 cães encontrou

O comportamentalista sueco Anders Hallgren acompanhou um grupo de 400 cães examinados por fisioterapeutas, num levantamento publicado no livro Problemas de coluna em cães (no original, Ryggproblem hos hund). Dois resultados chamam a atenção:

63%dos cães avaliados tinham algum problema na coluna, muitas vezes sem que o tutor percebesse.
91%dos cães com lesões no pescoço tinham histórico de puxões fortes na guia ou de trancos aplicados pela coleira.

Hallgren também observou uma ligação entre dor nas costas e problemas de comportamento: cães com dor tendem a ficar mais irritados, reativos ou agitados. Ou seja, às vezes o cão "difícil" no passeio é, na verdade, um cão com dor.

Um cuidado na leitura: é um levantamento observacional, não um ensaio clínico controlado. Ele mostra uma associação forte entre puxões e lesões, e não deve ser lido como prova de que toda coleira causa lesão. Mas aponta na mesma direção de pesquisas mais recentes.

O que pesquisas mais recentes confirmam

Em 2006, pesquisadores da Universidade de Wisconsin mediram a pressão dentro dos olhos de cães enquanto eles puxavam a guia. Com coleira, a pressão ocular subiu de forma significativa. Com peitoral, não houve aumento relevante. Por isso, veterinários costumam recomendar peitoral para cães com glaucoma, olhos sensíveis ou raças com tendência a problemas oculares.

Em 2020, um estudo publicado na Veterinary Record testou diferentes tipos de coleira num modelo que simula o pescoço de um cão. Mesmo com forças comuns de passeio, as coleiras produziram pressões acima dos níveis considerados capazes de causar dano aos tecidos do pescoço.

Por que o pescoço sofre tanto

O pescoço do cão concentra estruturas delicadas numa área pequena: a traqueia, o esôfago, as vértebras cervicais, nervos que descem para as patas da frente e a glândula tireoide. Quando a coleira recebe um tranco, toda a força se concentra numa faixa de poucos centímetros, exatamente sobre essas estruturas. Os sinais que podem aparecer com o tempo incluem:

  • Tosse e engasgos durante ou depois do passeio, por pressão na traqueia
  • Rigidez ou dor ao virar o pescoço, ao abaixar a cabeça para comer ou ao ser tocado nessa região
  • Mancar ou lamber as patas dianteiras com frequência, que pode indicar irritação de nervos cervicais
  • Irritação, reatividade ou recusa em sair para passear

Alguns veterinários também levantam a hipótese de que traumas repetidos na região da garganta poderiam contribuir para inflamações da tireoide, sobretudo em cães grandes que puxam muito. É uma hipótese ainda sem estudo conclusivo, mas mais um motivo para não concentrar a força no pescoço.

A solução: tirar a força do pescoço

A recomendação é distribuir a força pelo peito e pelos ombros, que são regiões mais largas e musculosas, usando um peitoral em vez de coleira na hora do passeio. A coleira continua útil para a plaquinha de identificação, mas a guia vai no peitoral.

Há duas formas de prender a guia no peitoral:

  • Argola nas costas: a mais confortável para o dia a dia, para cães que já andam bem na guia.
  • Argola no peito: quando o cão puxa, a guia faz ele girar de lado, de volta para você. É o princípio dos peitorais "anti-puxão", muito usado por adestradores enquanto o cão aprende a andar sem puxar.

Nenhum equipamento substitui o treino: o peitoral protege o corpo enquanto o cão aprende, e o reforço positivo (recompensar quando a guia está frouxa) é o que ensina de vez.

Peitoral Truelove Upgrade

O nosso peitoral mais vendido foi desenhado para tirar a força do pescoço:

  • Argola no peito e argola nas costas: você escolhe onde prender a guia
  • Peito largo e acolchoado, que distribui a força dos puxões
  • Alça nas costas para segurar o cão quando precisar
  • Faixas refletivas e tamanhos do PP ao GG
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Referências
  1. Hallgren, A. Ryggproblem hos hund (Problemas de coluna em cães). Suécia.
  2. Pauli, A. M.; Bentley, E.; Diehl, K. A.; Miller, P. E. Effects of the application of neck pressure by a collar or harness on intraocular pressure in dogs. Journal of the American Animal Hospital Association, v. 42, n. 3, p. 207-211, 2006.
  3. Carter, A.; McNally, D.; Roshier, A. Canine collars: an investigation of collar type and the forces applied to a simulated neck model. Veterinary Record, v. 187, n. 7, 2020.
  4. Whole Dog Journal. Can a collar damage a dog's thyroid?