Ele corre, de repente encolhe uma pata de trás, dá dois ou três pulinhos e volta a correr como se nada tivesse acontecido. Esse "pulinho" tem nome, e é mais comum do que parece nas raças pequenas.
Num estudo com mais de 210 mil cães, o Spitz Alemão teve 6,5 vezes a chance de diagnóstico de luxação de patela, o Chihuahua 5,9 vezes e o Yorkshire 5,5 vezes, sempre em comparação com cães sem raça definida.
Fonte: O'Neill, D.G. et al. "The epidemiology of patellar luxation in dogs attending primary-care veterinary practices in England." Canine Genetics and Epidemiology, 2016.
Talvez tenha sido no parque, talvez no corredor de casa. Você viu a pata subir, ficar suspensa por alguns passos e depois voltar ao normal. Ele não chorou, não parou de brincar. E justamente por isso a dúvida ficou: foi alguma coisa ou não foi?
Ou talvez a dúvida já tenha resposta, porque o veterinário apalpou o joelho, empurrou a patela para o lado e disse "grau 2". Agora você está tentando entender o que isso significa, se precisa de cirurgia, se vai piorar, e se o seu cão sente dor quando isso acontece.
Esta reportagem responde a essas perguntas com o que a ciência já sabe. E começa pela mais importante: a luxação de patela é, na imensa maioria dos casos, uma condição de formação. Não foi o tombo, a escada ou a brincadeira que a criaram.
Uma peça que sai do trilho
A patela é um pequeno osso na frente do joelho, a "rótula". Ela fica encaixada num sulco do fêmur, como um vagão num trilho, e desliza para cima e para baixo a cada passo, guiando a força do músculo da coxa que estica a perna.
Na luxação, a patela escapa desse sulco, quase sempre para o lado de dentro da perna (luxação medial). Isso acontece porque o sulco é raso demais, ou porque os ossos e músculos da perna estão levemente desalinhados e puxam a patela para fora do trilho. Quando ela sai, o cão não consegue esticar a perna direito, e é por isso que ele encolhe a pata. Quando ela volta ao lugar, sozinha ou com um "estique" da pata, ele volta a andar normal.
Os veterinários classificam a luxação em quatro graus, conforme a facilidade com que a patela sai e volta:
| Grau 1 | A patela sai só quando empurrada no exame e volta sozinha. Muitas vezes não há sinais. |
| Grau 2 | Sai sozinha de vez em quando (o "pulinho") e volta com o movimento. |
| Grau 3 | Fica fora do lugar a maior parte do tempo; pode ser recolocada manualmente. |
| Grau 4 | Fica permanentemente fora e não pode ser recolocada; a perna perde a função normal. |
Na luxação de patela das raças pequenas, a origem costuma estar na formação do joelho e da perna. Um tombo pode ter sido o momento em que você notou pela primeira vez, mas a patela só saiu porque o trilho já não a segurava bem. O que você controla é o quanto a rotina força esse joelho daqui para frente.
As raças pequenas que o estudo apontou
O maior retrato da luxação de patela numa população geral de cães vem do programa VetCompass, que reúne prontuários de clínicas veterinárias da Inglaterra. Pesquisadores do Royal Veterinary College analisaram os registros de 210.824 cães atendidos em 119 clínicas.
Título original: "The epidemiology of patellar luxation in dogs attending primary-care veterinary practices in England"
A luxação de patela foi diagnosticada em 1,30% dos cães. Onze raças tiveram chance aumentada em relação aos cães sem raça definida, com destaque para o Spitz Alemão (6,5 vezes), o Chihuahua (5,9), o Yorkshire (5,5) e o Bulldog Francês (5,4). Fêmeas tiveram 1,3 vez a chance, e cães castrados, 2,4 vezes. A idade mediana no diagnóstico foi de 4 anos, e o peso mediano dos cães afetados, 8 kg.
Além dessas quatro, a lista de raças com mais diagnósticos no estudo inclui nomes muito presentes nas casas brasileiras: Lhasa Apso, Cavalier King Charles, Bichon, Pug e o próprio Yorkshire, que foi a raça com mais casos em número absoluto. O estudo também encontrou mais diagnósticos em cães abaixo do peso médio da raça, o que reforça a ligação com o porte miúdo e a estrutura delicada.
Repare na idade: 4 anos. A luxação de patela não é uma doença de cão velho. Ela costuma ser diagnosticada no cão jovem, adulto, cheio de energia, e acompanha esse cão pelo resto da vida. É isso que muda a forma de pensar o cuidado.
Dói? Como saber o que ele está sentindo
No momento em que a patela sai, muitos cães não demonstram dor. Eles encolhem a pata porque ela "travou", e não necessariamente porque doeu. Mas isso não quer dizer que o joelho esteja bem. Cada saída e volta da patela raspa a cartilagem do sulco e da própria patela, e esse atrito, repetido por anos, cobra seu preço.
Os sinais que merecem atenção vão além do pulinho:
O pulinho ficando mais frequente
Se antes acontecia uma vez por semana e agora acontece em todo passeio, a patela está saindo com mais facilidade.
Pata que demora a voltar ao chão
Em vez de dois passos, ele anda vários metros em três patas, ou precisa parar e esticar a perna para trás para a patela encaixar.
Rigidez depois de descansar
Mancar ao levantar e melhorar com o movimento sugere que a articulação já tem inflamação ou artrose, e não só o deslizamento da patela.
Postura de "joelhos para dentro"
Nos graus mais altos, as patas de trás ficam arqueadas, com os pés virados para fora, e o cão anda agachado.
Mancada súbita e forte, sem apoiar a pata
Cães com luxação de patela têm mais risco de romper o ligamento cruzado. Se ele de repente para de apoiar a pata de trás, procure atendimento logo.
A patela sai e volta. Ele volta a correr. Mas cada saída deixa um pouco de atrito na cartilagem, e anos de atrito viram artrose.
Cirurgia ou não? E o que acontece depois
A decisão depende do grau, dos sinais e da idade, e é do veterinário ortopedista. Em geral, luxações de grau 1 e muitas de grau 2 sem sinais frequentes são acompanhadas sem cirurgia. Graus mais altos, ou casos em que o cão manca com frequência, costumam ter indicação cirúrgica, que corrige o sulco e o alinhamento para a patela voltar a correr no trilho. No estudo britânico, 39% dos casos receberam manejo clínico e 13,2% foram operados.
Mas existe um dado que muitos tutores não ouvem no consultório, e que muda a forma de cuidar do joelho depois.
Título original: "A retrospective evaluation of stifle osteoarthritis in dogs with bilateral medial patellar luxation and unilateral surgical repair"
Os pesquisadores acompanharam 12 cães com luxação nos dois joelhos que foram operados em apenas um deles, e usaram o outro joelho como comparação. Cerca de 33 meses depois, os joelhos operados tinham a patela no lugar e melhor uso da perna. Mesmo assim, a artrose avançou de forma significativa e comparável nos dois lados, operado e não operado.
O estudo é pequeno, mas o recado é claro e coerente com a prática clínica: a cirurgia corrige o trilho, mas não apaga o desgaste que já começou. A luxação de patela costuma vir acompanhada de artrose ao longo da vida, operando ou não. Por isso o cuidado com esse joelho não termina na alta.
Algumas perguntas aparecem em quase toda consulta:
Luxação de patela em cachorro tem cura?
A cirurgia pode corrigir o deslocamento e devolver a função da perna, e muitos cães voltam a uma vida ativa. O que não se reverte é o desgaste que a articulação já sofreu, e a tendência à artrose continua. Por isso se fala em manejo para a vida toda.
Luxação de patela grau 1 ou 2 precisa de cirurgia?
Nem sempre. Muitos cães com grau 1 e parte dos com grau 2 vivem bem com acompanhamento, controle de peso e cuidados com o ambiente. A indicação muda se o cão manca com frequência, sente dor ou se o quadro progride. Quem decide é o ortopedista.
Meu cachorro pode subir no sofá com luxação de patela?
O problema maior é o salto, principalmente a descida, que força o joelho no impacto. Uma rampa ou um degrau resolve sem tirar o cão do convívio. Escadas longas e brincadeiras de salto e giro também merecem moderação.
Como é o repouso depois da cirurgia de patela?
Costuma envolver algumas semanas de atividade restrita, sem saltos, corrida ou escada, com retorno gradual e muitas vezes fisioterapia. O cirurgião passa o protocolo do seu cão, e segui-lo à risca é parte do sucesso da cirurgia.
Um joelho para a vida toda: o que muda em casa
Se a luxação de patela acompanha o cão pela vida inteira, e se a artrose tende a vir junto, o cuidado com esse joelho também é diário. As diretrizes internacionais do consenso COAST para a artrose canina recomendam, com voto unânime dos especialistas, adaptar o ambiente, com foco em três pontos: conforto nas áreas de descanso, piso antiderrapante e acesso facilitado a lugares altos e baixos.
No porcelanato, o cão pequeno escorrega, abre as patas e força o joelho para os lados, exatamente a direção em que a patela tende a escapar. Tapetes antiderrapantes nos caminhos mais usados fazem diferença real.
Para um cão de 3 ou 4 kg, o sofá é como um muro. Rampas ou degraus evitam o impacto da descida, que é o momento de maior carga no joelho.
O estudo encontrou mais diagnósticos em cães abaixo do peso da raça, mas isso não quer dizer que engordar ajude: o excesso de peso aumenta a carga sobre o joelho e acelera a artrose. O ideal é o peso que o veterinário indicar, com musculatura.
Cama alta, ou com borda alta, é mais um salto por dia, várias vezes por dia. E, quando a artrose chega, a rigidez nasce justamente nas horas de descanso. O ideal é uma superfície baixa, em que ele entre caminhando, firme o bastante para não afundar e larga o bastante para esticar a perna.
O quarto ponto costuma ser o último em que o tutor pensa, e é o que está presente em mais horas do dia. Cães adultos passam boa parte do tempo deitados, e no pós-operatório praticamente o dia inteiro. É também onde se forma a rigidez que aparece no sinal número 3 da lista acima.
Nenhuma cama recoloca a patela, corrige o sulco ou evita a cirurgia quando ela é indicada. Ela não substitui o acompanhamento ortopédico. O que ela faz é tirar mais um salto da rotina e dar ao joelho um lugar de descanso que não aumenta a rigidez. E vale saber: para um cão muito pequeno, uma cama de 100 × 66 cm é espaçosa, então confira se ela cabe bem no canto onde ele dorme.
O pulinho que não dói hoje é o desgaste de amanhã
Como o cão volta a correr segundos depois, a luxação de patela é fácil de ignorar. Mas cada deslocamento é atrito na cartilagem, e o estudo de 1992 mostrou que a artrose avança mesmo no joelho operado. Os anos em que o cão é jovem e ativo são justamente os anos em que dá para poupar esse joelho: menos saltos, menos escorregões, peso certo e um lugar de descanso que ajude.
Dormdog
A Dormdog não trata a luxação de patela. Ela tira um salto da rotina e oferece ao joelho um lugar de descanso firme: baixa para entrar caminhando, com espuma que não afunda e espaço para esticar a perna, inclusive nas semanas de pós-operatório.
O cão entra e sai caminhando, sem o salto e a descida que forçam o joelho.
Mais que o dobro da densidade usada em camas de baixo custo. Sustenta o corpo sem formar cova, e mantém a firmeza com o uso diário.
Espaço para estender as patas de trás e mudar de posição sem sair da cama. Para cães muito pequenos, é uma cama espaçosa.
Superfície acolchoada no contato, e capa que sai inteira para lavar.
Relatos de tutores da Truelove Brasil
Depoimentos de compradores verificados — relatos originais de tutores.
Um joelho que precisa de cuidado a vida toda merece um bom lugar para descansar
Dormdog: a cama citada em "Uma cama baixa e firme". Espuma D50, 100 × 66 × 8 cm. 4,94/5 em 130 avaliações.

Referências científicas citadas nesta reportagem
- O'Neill, D.G., Meeson, R.L., Sheridan, A., Church, D.B., Brodbelt, D.C. (2016). "A epidemiologia da luxação de patela em cães atendidos em clínicas veterinárias de atenção primária na Inglaterra" (título original: "The epidemiology of patellar luxation in dogs attending primary-care veterinary practices in England"). Canine Genetics and Epidemiology, 3:4. (n=210.824 cães, VetCompass)
- Roy, R.G., Wallace, L.J., Johnston, G.R., Wickstrom, S.L. (1992). "Avaliação retrospectiva da osteoartrite do joelho em cães com luxação medial de patela bilateral e correção cirúrgica unilateral" (título original: "A retrospective evaluation of stifle osteoarthritis in dogs with bilateral medial patellar luxation and unilateral surgical repair"). Veterinary Surgery, 21:475–479. (n=12 cães)
- Cachon, T., Frykman, O., Innes, J.F. et al. (2023). "Diretrizes internacionais de consenso do Grupo COAST para o tratamento da osteoartrite canina" (título original: "COAST Development Group's international consensus guidelines for the treatment of canine osteoarthritis"). Frontiers in Veterinary Science, 10:1137888.
