O laudo do raio-x chegou com uma palavra difícil: espondilose. E, ao lado, a explicação que ninguém gosta de ouvir: "bico de papagaio na coluna". Antes de se assustar, vale entender o que essa imagem significa, e o que ela não significa.
Num estudo com 2.041 cães de raça, 18% tinham espondilose no raio-x. Os afetados eram, em média, mais velhos. Na maior parte dos casos, ela é uma marca do envelhecimento da coluna, e não a causa da dor.
Fonte: Kranenburg, H.C. et al. "Diffuse idiopathic skeletal hyperostosis (DISH) and spondylosis deformans in purebred dogs: a retrospective radiographic study." The Veterinary Journal, 2011.
Talvez o raio-x tenha sido pedido porque o seu cão anda mais duro, demora para levantar, já não pula no carro. Talvez tenha sido feito por outro motivo, e a espondilose apareceu de surpresa, como um achado. Em qualquer dos casos, a imagem é impressionante: pontes de osso entre as vértebras, como se a coluna estivesse "soldando".
É natural imaginar o pior. Pensar que ele está sentindo muita dor, que a coluna vai travar, que ele vai parar de andar. Esta reportagem existe para colocar essa imagem no lugar certo. A espondilose quase sempre é menos grave do que parece no laudo. Mas o cão que motivou o raio-x continua precisando de resposta, e de cuidado.
O que é o "bico de papagaio" na coluna do cão
Entre as vértebras ficam os discos, os amortecedores da coluna. Com os anos, esses discos se desgastam e a ligação entre as vértebras fica um pouco mais frouxa. O corpo responde do jeito que costuma responder à instabilidade: produz osso novo nas bordas das vértebras, os osteófitos. Com o tempo, esses osteófitos crescem um em direção ao outro e podem formar pontes.
Essa é a espondilose deformante. O apelido "bico de papagaio" vem do formato curvo das projeções vistas no raio-x. Ela aparece principalmente na parte de baixo das vértebras, longe da medula espinhal, e se concentra na região lombar.
Muitos veterinários descrevem a espondilose como a tentativa do próprio corpo de estabilizar um trecho da coluna que ficou frouxo. Por isso ela costuma ser vista como uma consequência do envelhecimento do disco, e não como uma doença que avança por conta própria.
A espondilose está ligada à idade e, em algumas raças, à genética. Não é resultado de passeio, de brincadeira ou de ter deixado o cão subir no sofá. Ela vinha se formando devagar, ao longo de anos, sem dar sinal.
Comum, ligada à idade, e mais frequente em algumas raças
Um estudo da Universidade de Utrecht, na Holanda, revisou os raios-x de 2.041 cães de raça para medir com que frequência a espondilose aparece.
Título original: "Diffuse idiopathic skeletal hyperostosis (DISH) and spondylosis deformans in purebred dogs: a retrospective radiographic study"
A espondilose estava presente em 18,0% dos 2.041 cães (367 animais). Os cães com espondilose eram significativamente mais velhos do que os sem alterações. Entre os Boxers, a proporção chegou a 55,1%. O estudo também registrou espondilose em 19 raças menores.
A relação com a idade aparece com ainda mais clareza num estudo com Rottweilers de 5 anos ou mais, publicado em 2019 no Journal of the American Animal Hospital Association. A espondilose foi encontrada em 68% a 77% dos cães, e a chance de uma espondilose moderada a grave aumentou 1,43 vez a cada ano de idade.
Em outras palavras: quanto mais velho o cão, mais provável que um raio-x de coluna mostre algum grau de espondilose. Ela é tão comum em cães idosos que encontrá-la, por si só, diz pouco sobre o que o cão está sentindo.
Dói? A pergunta que o laudo não responde
Esse é o ponto mais importante desta reportagem. Na maioria dos cães, a espondilose não causa dor nem sinal nenhum. As pontes de osso se formam devagar, longe da medula, e o cão segue a vida normalmente.
Isso tem uma consequência prática: se o seu cão está com dor, rigidez ou fraqueza, e o raio-x mostrou espondilose, o veterinário provavelmente vai querer descartar outras causas antes de culpá-la. A espondilose costuma estar presente ao mesmo tempo que outras condições da coluna e das articulações do cão idoso, e é muitas vezes uma delas, e não o bico de papagaio, que explica os sintomas.
Título original: "Evaluation of the association between spondylosis deformans and clinical signs of intervertebral disk disease in dogs: 172 cases (1999-2000)"
Os pesquisadores compararam 172 cães com sinais de doença do disco a 38 cães com outros problemas neurológicos. A hérnia de disco aguda (tipo I) não teve associação com a espondilose, e os autores concluíram que a espondilose vista no raio-x de cães com suspeita de hérnia aguda não é clinicamente importante. Já a doença do disco de evolução lenta (tipo II) pode ter alguma associação com ela.
Existem situações em que a espondilose dói. Quando as pontes de osso crescem muito, ou se formam perto do ponto onde os nervos saem da coluna, podem pressionar essas raízes nervosas. Uma ponte que se fratura também pode causar dor. Mas essas situações são a exceção, e é o exame clínico e neurológico, e não só a imagem, que diz se é o caso do seu cão.
O raio-x mostra a espondilose. Só o exame do cão mostra se é ela que dói.
Os sinais que merecem investigação
Se o seu cão tem espondilose no laudo, estes são os sinais que indicam que algo na coluna ou nas articulações precisa de atenção, seja a espondilose, seja outra causa:
Rigidez ao levantar e passos curtos
Ele levanta em etapas, anda "duro" nos primeiros minutos, como se a coluna não dobrasse.
Dor ao toque nas costas
Ele se encolhe, vira a cabeça ou reclama quando você passa a mão no meio ou no fim das costas.
Recusa a pular e a subir
Carro, sofá, cama e escada viram obstáculos. Ele espera ser carregado.
Dificuldade para se acomodar
Gira muitas vezes antes de deitar, troca de posição durante a noite, deita "despencando".
Fraqueza ou desequilíbrio nas patas de trás
Arrastar as unhas, cruzar as patas, tropeçar ou escorregar mais que o normal. Isso é sinal neurológico e pede consulta rápida, porque pode indicar compressão da medula, que raramente vem da espondilose.
Algumas dúvidas aparecem sempre que o laudo chega:
Espondilose em cachorro tem cura?
O osso que já se formou não desaparece. Mas, na maioria dos cães, a espondilose não exige tratamento, porque não causa sintomas. Quando há dor, ela é tratada com controle da dor, controle de peso, exercício adequado e adaptações em casa, de acordo com a orientação do veterinário.
Cachorro com espondilose pode ficar paralisado?
É muito raro que a espondilose sozinha cause paralisia, porque ela se forma longe da medula. Fraqueza ou perda de movimento nas patas de trás costuma ter outra origem, como uma hérnia de disco, e precisa de avaliação rápida.
Cachorro com espondilose pode passear?
Pode e deve, salvo orientação contrária do veterinário. Caminhadas regulares e moderadas mantêm a musculatura que sustenta a coluna. O que vale evitar são saltos, arrancadas e brincadeiras de impacto e torção.
Cuidando de uma coluna que envelhece
Se a espondilose é uma marca do envelhecimento da coluna, o cuidado faz sentido no conjunto: diminuir a carga sobre a coluna no dia a dia, manter a musculatura e tornar a casa mais fácil de percorrer. São medidas simples, que ajudam o cão com espondilose e também as outras condições que costumam vir com a idade.
Cada quilo a mais é carga sobre os discos e as articulações, o dia inteiro. No cão idoso, manter o peso ideal é uma das medidas com mais efeito sobre o conforto.
Caminhadas diárias, mais curtas se for preciso, mantêm os músculos das costas e das patas. Evite saltos, brincadeiras de puxar e giros bruscos.
Rampas para o sofá, para a cama e para o carro, e tapetes antiderrapantes no piso liso. A descida de um salto é o momento de maior impacto para a coluna.
O cão idoso passa a maior parte do dia deitado. Numa espuma mole, o corpo afunda no meio e a coluna fica curvada por horas; no chão duro, o peso se concentra nos pontos ossudos. O ideal é uma cama firme, que sustente o corpo por igual, baixa o bastante para ele entrar sem saltar, e grande o bastante para deitar esticado.
O quarto ponto é o que age por mais horas. Ele não muda o raio-x, mas muda o que acontece com a coluna durante o descanso, e é durante o descanso que nasce a rigidez da manhã, o primeiro sinal da lista acima. Na escolha, a densidade da espuma importa mais que a espessura: no padrão brasileiro, D18 e D23 afundam em semanas sob o peso do cão; densidades altas, como D50, mantêm a sustentação.
Nenhuma cama desfaz a espondilose, trata dor de coluna ou substitui a investigação veterinária. Se o seu cão tem dor, rigidez ou fraqueza, ele precisa ser examinado. O que uma boa superfície de descanso faz é não piorar a rigidez nas horas em que ele está deitado.
O risco de culpar o laudo e parar de procurar
Ao ver "espondilose" escrito, é fácil concluir que a explicação está dada e que não há o que fazer. Mas, na maioria dos cães, ela não é a causa da dor. Se o cão tem sintomas, pode haver artrose, problema de disco ou outra condição tratável por trás, e cada mês sem tratamento é um mês de dor e de perda de músculo. Investigar e adaptar a rotina cedo é o que preserva os anos ativos do cão idoso.
Dormdog
A Dormdog não trata a espondilose. Ela atua nas horas em que o cão idoso está deitado: sustenta o corpo por igual para a coluna não ficar curvada, é baixa para ele entrar sem saltar e tem espaço para deitar esticado.
Mais que o dobro da densidade usada em camas de baixo custo. Não forma a cova central que curva a coluna, e mantém a sustentação com meses de uso.
Afasta o corpo do piso frio e duro e é baixa o bastante para o cão entrar caminhando, sem salto.
Espaço para estender o corpo e mudar de posição sem sair da cama. Na dúvida, meça o cão deitado de lado, esticado, e compare com os 100 cm.
Superfície acolchoada no contato, e capa que sai inteira para lavar.
Relatos de tutores da Truelove Brasil
Depoimentos de compradores verificados — relatos originais de tutores.
A coluna envelhece. O descanso dele pode ficar mais confortável.
Dormdog: a cama citada em "Uma superfície que mantenha a coluna reta". Espuma D50, 100 × 66 × 8 cm. 4,94/5 em 130 avaliações.

Referências científicas citadas nesta reportagem
- Kranenburg, H.C., Voorhout, G., Grinwis, G.C.M., Hazewinkel, H.A.W., Meij, B.P. (2011). "Hiperostose esquelética idiopática difusa (DISH) e espondilose deformante em cães de raça: um estudo radiográfico retrospectivo" (título original: "Diffuse idiopathic skeletal hyperostosis (DISH) and spondylosis deformans in purebred dogs: a retrospective radiographic study"). The Veterinary Journal, 190:e84–e90. (n=2.041 cães)
- Ihrke, A., Riviera, P., LoGuidice, R., Guiffrida, M., Neforos, K. (2019). "Prevalência de espondilose deformante em Rottweilers com e sem caudectomia" (título original: "Prevalence of Spondylosis Deformans in Tailed Versus Tail-Docked Rottweilers"). Journal of the American Animal Hospital Association, 55:301–305. (n=64 cães com 5 anos ou mais)
- Levine, G.J., Levine, J.M., Walker, M.A., Pool, R.R., Fosgate, G.T. (2006). "Avaliação da associação entre espondilose deformante e sinais clínicos de doença do disco intervertebral em cães: 172 casos (1999–2000)" (título original: "Evaluation of the association between spondylosis deformans and clinical signs of intervertebral disk disease in dogs: 172 cases (1999-2000)"). Journal of the American Veterinary Medical Association, 228:96–100.
