No verão, a noite costuma ser o melhor horário para passear com o cachorro: o asfalto esfriou e o ar está mais fresco. O risco que aparece no lugar do calor é outro. O motorista precisa enxergar vocês dois.
Num teste em pista fechada, motoristas reconheceram a 319 metros pedestres com refletivos nas articulações que se movem. Com apenas um colete refletivo, o reconhecimento só vinha a 184 metros.
Fonte: Wood, J.M., Tyrrell, R.A., Lacherez, P., Black, A.A. "Night-time pedestrian conspicuity: effects of clothing on drivers' eye movements." Ophthalmic & Physiological Optics, 2017.
Para muita gente, o passeio da noite é o único que cabe no dia. Você chega do trabalho, o cachorro já está na porta, e a rua está mais vazia e mais fresca.
Então vem a dúvida: "é seguro sair com ele essa hora?"
Na maior parte dos casos, é seguro e pode até ser melhor que o passeio da tarde. Mas o passeio noturno tem um risco que o diurno quase não tem: ser visto a tempo. Um cão de pelagem escura, na calçada, entre carros estacionados, some para quem dirige.
São três pontos: por que a noite é um bom horário; qual é o risco real; e o que faz um cão ser visto de longe.
Passear à noite não é um improviso: no calor, costuma ser a escolha mais segura para o corpo do cão
No verão brasileiro, o fim de tarde engana. O ar já parece mais fresco, mas o asfalto passou o dia absorvendo sol e continua quente. Medições em centros de queimados registraram asfalto ainda a 52 °C às seis da tarde. Explicamos isso em asfalto quente queima pata de cachorro?
E o calor pesa sobre o corpo inteiro do cão, não só sobre a pata.
Título original: "Dogs Don't Die Just in Hot Cars—Exertional Heat-Related Illness (Heatstroke) Is a Greater Threat to UK Dogs"
Entre os 905.543 cães acompanhados, os pesquisadores identificaram 1.259 casos de doença por calor. O exercício foi o gatilho em 74,2% deles, bem acima do ambiente quente (12,9%) e do carro fechado (5,2%).
Se três em cada quatro casos de doença por calor começam com o cão em atividade, levar o passeio para depois do pôr do sol é uma das decisões mais simples para proteger o cão no verão.
Enxerga melhor que nós com pouca luz. Os olhos dos cães têm uma camada que reflete a luz de volta para a retina, e é por isso que eles "brilham" na foto com flash. O problema do passeio noturno não é a visão do cão, é a do motorista.
A noite resolve o problema do calor. Em troca, aumenta a dificuldade de ser visto por quem está ao volante.
Atropelamento é um risco maior do que parece... e pega principalmente cães jovens
Não há um levantamento nacional sobre atropelamento de cães no Brasil. O dado mais sólido vem de um grande banco de prontuários veterinários do Reino Unido.
Título original: "Epidemiology, clinical management, and outcomes of dogs involved in road traffic accidents in the United Kingdom (2009–2014)"
Com base em quase 200 mil cães atendidos em clínicas veterinárias, o estudo encontrou 0,41% dos cães (cerca de 4 em cada mil) envolvidos em acidente de trânsito no período. 22,9% desses cães morreram em decorrência do acidente. A idade média dos atingidos foi de 2,5 anos, e os machos tiveram 1,4 vez o risco das fêmeas.
O perfil importa. Os mais atingidos são cães jovens, com energia e impulso para sair correndo atrás de um gato ou de outro cão. Se a guia escapa da mão no escuro, o motorista tem menos tempo para reagir.
Cães de pelagem preta ou marrom escura, cães pequenos (ficam abaixo da linha do capô), filhotes e cães que se assustam com barulho. Nesses, a visibilidade conta ainda mais.
Pode passear com cachorro à noite?
Pode, e no verão muitas vezes é o horário mais indicado. Os cuidados são: guia sempre presa (nada de soltar em praça mal iluminada), trajeto conhecido e iluminado e algo que torne o cão visível para os carros.
É bom passear com cachorro tarde da noite?
Para o corpo do cão, sim: o chão está frio e o ar, mais fresco. Na rotina, mantenha um horário regular. Cães se organizam bem com passeios em horários parecidos todos os dias.
Coleira refletiva é suficiente?
Ajuda, mas o refletivo só brilha quando recebe luz, como o farol do carro de frente. De lado ou numa rua escura, uma luz própria (LED) aparece antes. As duas coisas funcionam melhor juntas.
A questão então deixa de ser "sair ou não sair à noite" e passa a ser "como fazer o motorista perceber o cão a tempo". A pesquisa sobre pedestres dá uma resposta bem específica.
Faça o cão ser visto de longe, com luz e refletivo no que se move
É aqui que os dois primeiros pontos se encontram: a noite é o horário que protege o cão do calor (primeiro ponto), mas é também quando ele fica mais difícil de ver, e o atropelamento atinge principalmente cães jovens e impulsivos (segundo ponto).
Pesquisadores de segurança viária estudam há anos o que faz um pedestre ser notado à noite. A conclusão mais consistente: o olho humano detecta primeiro o que brilha e se move, e reconhece essa forma como "alguém caminhando" muito antes.
Título original: "Night-time pedestrian conspicuity: effects of clothing on drivers' eye movements"
Catorze motoristas dirigiram à noite numa pista fechada enquanto os pesquisadores registravam para onde olhavam. Os pedestres vestiam roupa preta com colete refletivo. Quando também tinham marcadores refletivos nas articulações, que se movem ao caminhar, foram reconhecidos em média a 319,1 metros. Só com o colete, a 184,5 metros. O olhar do motorista chegou ao pedestre em 1,1 segundo, contra 3,5 segundos sem os marcadores nas articulações.
O estudo foi feito com pedestres, não com cães, e é preciso ter esse cuidado ao aplicar o resultado. Mas o princípio é o mesmo. Um ponto de luz ou de brilho que acompanha o movimento do corpo é percebido antes de uma superfície parada.
Para o cão, isso significa colocar o refletivo e a luz no que ele veste para andar: coleira, peitoral, guia. E, quando possível, deixar o tutor visível também.
Luz e refletivo ajudam a ser visto, mas não substituem a guia curta perto da rua nem a atenção ao atravessar. Um cão que dispara para a pista continua em perigo, mesmo iluminado. O equipamento dá tempo ao motorista, não elimina o risco.
À noite, o motorista não vê a cor do seu cachorro. Ele vê o que brilha e se move, e quanto antes vê, mais tempo tem para frear.
Todo passeio noturno sem visibilidade depende da atenção de quem está ao volante
Na maior parte das noites, nada acontece, e é isso que faz o risco parecer pequeno. Mas o atropelamento é um evento único e, em quase um a cada quatro casos, fatal. A diferença entre ser visto a 180 ou a 320 metros é a diferença entre o motorista ter tempo de frear ou não.
Luz de Segurança LED Truelove
O terceiro ponto mostrou que o que se move e brilha é percebido antes. A luz LED presa no equipamento do cão acompanha cada passo e aparece mesmo quando nenhum farol está apontado para ele, que é justamente onde o refletivo sozinho falha.
Aparece de lado e em rua escura, sem depender do farol, e o pisca-pisca chama a atenção mais cedo.
Prende na coleira, no peitoral ou na guia, sempre em algo que se move com o cão.
Funciona também no passeio de noite chuvosa, quando a visibilidade é ainda pior.
Até 48 h no modo piscante lento, sem troca de pilha.
O passeio da noite pode continuar, com o cão visível
Luz de Segurança LED Truelove: o item citado no ponto "ser visto a tempo". 4,4/5 em 16 avaliações reais.
Ver a Luz LED TruelovePrefere refletivo no próprio equipamento? Veja a Coleira Truelove Refletiva e o Peitoral Truelove Ajustável e Refletivo.
Referências científicas citadas nesta reportagem
- Hall, E.J., Carter, A.J., O'Neill, D.G. (2020). "Cães não morrem só em carros quentes: a doença por calor ligada ao exercício é uma ameaça maior para os cães do Reino Unido" (título original: "Dogs Don't Die Just in Hot Cars—Exertional Heat-Related Illness (Heatstroke) Is a Greater Threat to UK Dogs"). Animals, 10(8), 1324. (n=905.543 cães)
- Harris, G.L., Brodbelt, D.C., Church, D.B., Humm, K.R., McGreevy, P.D., Thomson, P.C., O'Neill, D.G. (2018). "Epidemiologia, manejo clínico e desfechos de cães envolvidos em acidentes de trânsito no Reino Unido (2009–2014)" (título original: "Epidemiology, clinical management, and outcomes of dogs involved in road traffic accidents in the United Kingdom (2009–2014)"). Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, 28(2), 140–148. (VetCompass, ~200 mil cães)
- Wood, J.M., Tyrrell, R.A., Lacherez, P., Black, A.A. (2017). "Visibilidade de pedestres à noite: efeitos da roupa sobre os movimentos oculares dos motoristas" (título original: "Night-time pedestrian conspicuity: effects of clothing on drivers' eye movements"). Ophthalmic & Physiological Optics, 37(2), 184–190. (n=14 motoristas, pista fechada)
- Kowal-Vern, A. et al. (2019). "'Ruas de fogo' revisitadas: queimaduras por contato" (título original: "'Streets of Fire' revisited: contact burns"). Burns & Trauma, 7, 32.
